sábado, 7 de dezembro de 2013

Açúcar x Saúde Pública

"A cada ano, mais de 3,17 milhões de pessoas no mundo todo morrem de doenças causadas direta ou indiretamente pelo consumo excessivo de açúcar refinado", diz pesquisa recente feita pela Universidade de Harvard e publicada na revista Lancet. O que mais assusta é que esse número tende a crescer anualmente em razão do desenvolvimento da indústria de alimentos.

O açúcar refinado é item fundamental da cesta básica do brasileiro, consumida em grande parte pelas mesmas famílias de baixa renda que dominam o ranking da aquisição de medicamentos para diabetes e doenças cardiovasculares através do SUS. Apesar do crescente número de vítimas da alimentação rica em sacarose, inserida em nossa cultura desde a infância, a educação nutricional na área de prevenção não é interessante para a indústria alimentar e farmacêutica, motivo maior pelo qual fracassamos cada vez mais na tentativa de reduzir a incidência de doenças crônicas na população mundial.


Dentre os problemas causados pelo seu consumo frequente, estão os mais simples - cárie dentária, irritação da mucosa intestinal, excreção de cálcio e magnésio, aumento da gordura visceral, destruição das bactérias benéficas ao intestino, acidificação do sangue, depressão do sistema imunológico, dependência, compulsão alimentar e alteração do equilíbrio hormonal - até as doenças mais graves como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, lesões no fígado e cânceres (especialmente de mama e colorretal).

O que boa parte das pessoas desconhece é que a sacarose atua de forma semelhante a outras drogas no cérebro, agindo no sistema nervoso central, onde causa a sensação de bem-estar responsável pelo vício e pela compulsão por doces. Estudos sobre a atividade dessa substância na química cerebral convencem cada vez mais autores e estudiosos da área a considerá-la uma droga lícita, cujo consumo é sustentado pelos interesses capitalistas de grandes empresas. 

Como consumidores, estamos sempre sujeitos a comprar produtos que levam o famoso açúcar disfarçado, tais como molhos, embutidos, sucos e iogurtes rotulados como naturais, salgadinhos, pães, torradas, dentre outros, o que torna o consumo ainda maior. É aí que se encontra a importância da educação nutricional e do saber sobre os alimentos, que garante à população o direito à qualidade de vida do período fetal até a idade adulta. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Fibra dietética e saciedade

Uma das grandes sacadas da indústria do emagrecimento foi a eficiência da adição de fibra dietética nos produtos para pessoas com peso acima do recomendado, alterações na glicemia e no colesterol plasmático e fatores de risco para doenças cardiovasculares. Notou-se que, ao  consumirem maior quantidade de fibra, estas pessoas relataram redução do apetite e, mesmo alimentando-se sem grandes restrições, perderam peso e melhoraram consideravelmente seu perfil lipídico. 

Suplementos alimentares para perda de peso normalmente são baseados em minerais que controlam a glicemia e o apetite, tais como cromo e magnésio, vitaminas que participam do metabolismo de macronutrientes (especialmente as do complexo B), antioxidantes e fibra alimentar. Dentre as mais utilizadas, estão a pectina, a quitosana, o psyllium e a fibra de maçã. Como princípio básico destes elementos, notamos a absorção da gordura dos alimentos, leve efeito laxante e redução do índice glicêmico da refeição, como ocorre com qualquer outra fibra.

Para obter os benefícios da fibra alimentar, não é preciso gastar horrores com suplementos. Como muitas pessoas me perguntam sobre um truque para controlar o apetite, resolvi deixar essa dica de um shake de fibras que pode ser feito em casa sem o custo financeiro absurdo dos suplementos usualmente encontrados em farmácias e casas de suplementos.

Todos estes ingredientes podem ser encontrados em lojas de produtos naturais por um preço bem acessível. 


Ingredientes:

  • 1 colher de chá (~5g) de linhaça dourada moída 
  • 1 colher de chá de fibra de berinjela
  • 1 colher de chá de psyllium [Para mim, o psyllium é a melhor fibra para ser adicionada a shakes, pois mistura facilmente e não deixa sabor residual. Pode ser substituído pela pectina caso haja necessidade]
  • 1 scoop de whey protein [Pela sua propriedade de potencializar a liberação do horônio CCK - colecistoquinina - ele também ajuda a promover saciedade. Prefira o concentrado por sofrer liberação mais gradual no plasma sanguíneo]
  • 100g de polpa de fruta de sua preferência
  • 250ml de água, ou leite de soja light

Preparação:

Bata todos os ingredientes no liquidificador ou mixer com gelo e adoçante. 

Esse shake tem cerca de 170Kcal quando preparado com água e 230Kcal quando se utiliza leite de soja. Costumo preparar com água, polpa de mamão e cenoura e acho bastante saboroso. Indico preferencialmente para o desjejum, mas pode ser consumido em qualquer momento do dia.

Espero que tenham aproveitado a dica. Continuem acompanhando o blog! 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Psicologia aplicada à alimentação

    
Apaixonar-se pela nutrição é apaixonar-se pela vida. A psicologia da alimentação desenvolveu pesquisas indicando a relação entre os hábitos alimentares e a personalidade, inclusive no campo de estudo dos transtornos da alimentação. 

Em todo momento, estamos introduzindo e digerindo em nosso corpo psíquico ideias, reações e emoções advindas do ambiente, mas a única forma de consubstanciar o ambiente ao nosso corpo material é por meio da alimentação. 

Um exemplo claro é o fato de que a anorexia deriva não somente de causas genéticas e emocionais, mas também da repulsa pelo mundo que cerca o paciente e do desejo de isolar-se do que ele ouve, sente e vê. Desejo que, não sendo alcançado psiquicamente, é então transferido para o meio material.

Da mesma forma, a vigorexia ou obesidade denotam a necessidade de proteção: o alimento, transformando-se em tecido, é o abrigo, o amparo na sua forma material . Na medida em que o paciente obeso adquire independência emocional e paternal, notamos que ele desenvolve naturalmente a capacidade de controlar sua ingestão alimentar e, assim, emagrece. Nota-se que indivíduos com maior autonomia e habilidade para relações interpessoais, aquelas nas quais há necessidade de ser flexível diante das situações sociais, são os que melhor se relacionam também com seus alimentos.

Sabe-se também que hipo ou hiperfagia (baixa e alta ingestão alimentar, respectivamente) nem sempre provêm da necessidade orgânica de comer exagerada ou insuficientemente. A quantidade de alimento que uma pessoa escolhe ingerir está estritamente ligada ao controle da sua própria vida – ou à falta dele. Observamos, desta forma, casos de pessoas mais controladoras e perfeccionistas que, diante de qualquer desequilíbrio ou tentativa frustrada de cumprir regras e planejamentos, vêm a desenvolver transtornos obsessivos, ortorexia (obsessão doentia pela alimentação natural) e, em casos mais graves, anorexia nervosa. 

Estes são apenas alguns das centenas de casos apresentados pela ciência. Eles exemplificam um fato curioso: o ser humano tem a necessidade inconsciente de materializar suas percepções e sua relação com o ambiente. É essencial, com isto, que o nutricionista busque uma análise refinada de seu paciente como um todo que une alma e corpo físico, uma vez que a psicologia considera ambos sendo apenas um. Tudo que é recebido pela alma é então refletido em nosso corpo físico, e vice-versa.

Enquanto testemunhamos muitos programas nutricionais serem aplicados sem sucesso, pacientes com transtornos alimentares são encaminhados a psicólogos e aprendem de forma voluntária a regular sua ingestão alimentar. Isto ocorre porque profissionais de nutrição frequentemente se apegam a regulamentos técnicos e estruturas químicas, desprendendo-se de valores profissionais importantíssimos como a sensibilidade e o aprendizado mútuo, sem os quais é impossível ter sucesso em qualquer planejamento alimentar. 

Quanto mais estudamos a nutrição, menos sabemos sobre ela. É preciso ter humildade para estar errado todos os dias, quando um estudo inédito que contraria todos os demais é publicado. É preciso sabedoria para assumir que a compreensão completa do organismo de um paciente está fora do alcance de qualquer ser humano. Compreender os hábitos alimentares de alguém implica em conhecer seu histórico de vida: a forma como, espiritualmente, ele se constituiu a partir de seu contato e experiências com o meio externo. 

Aprender com os pacientes todos os dias, e então perceber que quem está ali para ensinar são eles, e não nós. Mesmo que dominemos todo o conhecimento do mundo, ainda assim não seremos nada sem saber aplicá-lo.


Bibliografia consultada:


Campos, A. L. R. (1993). Aspectos psicológicos da obesidade. Pediatria Moderna, 29,129-133.


Kahtalian, A. (1992). Obesidade: Um desafio. Em J. Mello Filho (Org.), Psicossomática hoje (pp. 273-278). Porto Alegre: Artes Médicas.


Candy, C. M. & Fee, V. E. (1998). Underlying dimensions and psychometricproperties of the eating behaviors and Body Image Test for Preadolescent Girls. Journal of Clinical Child Psychology, 27, 117-127.


Alvarenga, M.; Scagliusi, F. B.; Philippi, S. T. NUTRIÇÃO E TRANSTORNOS ALIMENTARES: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO. Ed Manole, 2010.


domingo, 15 de abril de 2012

Soja: consumir ou desprezar?




O consumo de soja já esteve intimamente ligado ao conceito de saúde, longevidade e bem-estar, o que notamos através das diversas publicações que citam a população asiática, fiéis consumidores de produtos à base dessa leguminosa, como um dos povos mais saudáveis do mundo. As flavonas da soja foram comprovadamente associadas à proteção contra perda de massa óssea, à regulação da glândula tireóide e à redução dos níveis de mau-colesterol. O século XIX, dessa forma, foi marcado pela ascensão no cultivo da soja e produção dos seus derivados, não apenas como substituição à carne nas dietas veganistas - uma vez que seu perfil de aminoácidos é semelhante ao dos produtos animais - mas também no contexto do discurso da produção de saúde numa população absolutamente influenciada pela alimentação industrializada que, aos poucos, trazia riscos ao organismo.

Apesar de tudo isso, a fama das isoflavonas como estrogênios naturais levou grande parte da comunidade esportiva ao desinteresse pelo consumo dessa substância. Para alguns atletas, a ingestão de soja seria como administrar anticoncepcionais à base de estrogênio e causaria danos não apenas à aparência, mas, assim como o estrogênio sintético, ao coração, se prolongada por muitos anos.

A polêmica da ingestão da proteína de soja me parece um assunto sem fim. Se, por um lado, ela é considerada totalmente maléfica pelas características da sua atividade metabólica, vejo muitos atletas de nome consumindo esse tipo de proteína continuamente e tendo ótimos resultados físicos. Recentemente, Rodolfo Peres, um conhecido nome da nutrição esportiva, publicou em seu blog os benefícios do consumo da proteína isolada de soja, o que intrigou grande parte da comunidade esportiva, ao mesmo tempo em que alguns passaram imediatamente a acreditar na ausência de malefícios do consumo do alimento sem nenhum tipo de pesquisa prévia.

Prós e contras





Antes de qualquer coisa, é preciso definir aqui alguns malefícios comprovados do consumo da própria soja na sua forma natural. Esse alimento contém fatores antinutricionais que, no nosso organismo, se ligam a minerais impedindo sua absorção, além de um fator inibidor da tripsina, enzima responsável pela quebra protéica no processo de digestão. Este é o motivo pelo qual o consumo da soja em crianças foi tão criticado, em diversos artigos, por interferir no crescimento normal do indivíduo ao reduzir seu aproveitamento de nutrientes. Esse problema é facilmente encoberto pelo seu processamento. Isolando a proteína de soja, estaríamos eliminando quase a totalidade dos seus fatores antinutricionais, criando, então, uma proteína de perfil protéico excelente e sem maiores malefícios ao organismo, certo?

Na teoria, sim, apesar de alguns autores ainda acreditarem que processo de purificação supracitado, na prática, é duvidoso. No entanto, acredito que a proteína isolada de soja não apresenta qualquer tipo de malefício se usada em quantidade adequada. Ao contrário, ela é reduzida de gorduras e carboidratos e o que resta é uma proteína pura com alto teor de arginina, glutamina e BCAA’s, sendo que estes 5 aminoácidos compõem 36,2% do produto, o que a torna um perfeito anticatabólico e potencializador da secreção de GH e óxido nítrico. A OMS classificou essa proteína com PDCAAS (Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score ou Facilidade de Digestão de Proteína Corrigida de Aminoácidos) igual a 1.0 (o máximo), afirmando que seu aproveitamento se compara ao do ovo ou da caseína e supera o da carne vermelha, de apenas 0.92.

Ela não é apenas um complemento excelente na alimentação do esportista, mas ainda auxilia na regulação dos hormônios tireoidianos, tão importantes no bom funcionamento do nosso metabolismo, o que certamente facilita a perda de gordura e ganho de massa muscular.

Como os artigos recentes postularam para reverter a má fama da soja e da sua proteína isolada, esses alimentos possuem inúmeros benefícios, sim. É preciso deixar claro que não apenas a soja, mas muitos outros alimentos - especialmente grãos integrais e vegetais como o espinafre - possuem fatores antinutricionais e são constantemente recomendados por médicos e nutricionistas pelo seu alto valor nutricional. O problema não está no seu consumo, mas sim na febre do consumo dessa leguminosa, que, por ser divulgada como alimento do bem, passou gradativamente a substituir ingredientes em alimentos processados, substituir o próprio leite – inclusive na alimentação infantil – e ser adicionado ilimitadamente na alimentação diária de algumas pessoas, o que se traduz em um erro grave.

Como mensurar a quantidade segura para o consumo da soja?

Para se ter uma idéia de valores, o consumo de isoflavonas recomendado por dia, pela FDA (Food and Drug Administration), para promoção de saúde, é de 24mg por dia, quantidade contida em 1 litro de leite de soja tipo Ades.

Segundo pesquisas, chineses e japoneses beneficiados pelo consumo de soja mostraram redução de doenças degenerativas – especialmente câncer de mama e próstata – consumindo de 3 a 28mg ao dia de isoflavonas, valores considerados saudáveis. Comprovou-se, nestas pesquisas, que a alimentação oriental não se baseia no consumo de soja, mas tem como fonte primária de proteína os produtos de origem animal, o que mostra que é comum, porém errôneo, superestimar a aplicação da soja na culinária desta população.

Sugere-se que o excesso no consumo de isoflavonas se dá, principalmente, pela adição de suplementos a alimentos industrializados, tais como iogurtes, substitutos de refeição, produtos de confeitarias e barras nutritivas. O grande perigo, portanto, está basicamente na soja disfarçada dos produtos de supermercados quando estes são consumidos com freqüência e, principalmente, associados à ingestão de altas quantidades de outros produtos de soja. Este é o motivo pelo qual eu não indico produtos à base de soja para grandes consumidores de produtos industrializados que, inevitavelmente, consumirão seus suplementos através destes produtos. Destaco, também, que alimentos à base de soja não devem ser consumidos de forma ilimitada. É necessário, sim, limitar o seu consumo e estar atento a não ultrapassar a ingestão de valores altos de isoflavonas.

A ingestão de 60 a 100mg de isoflavonas – duas porções de suplemento usadas para o preparo de 100g de comidas ocidentais comuns - provêm quantidade de estrogênios vegetais equivalente a uma pílula anticoncepcional, o que traria os mesmo malefícios do medicamento se consumida diariamente, em longo prazo. Alguns suplementos, ainda, oferecem a mesma quantidade de isoflavonas por cápsula, e, desta forma, os mesmos riscos do anticoncepcional oral – aumento do risco de formação de coágulos sanguíneos, levando à maior probabilidade de doença cardiovascular. O excesso de isoflavonas oferece também o risco de supressão tireoidiana e bloqueio endócrino.

A tabela abaixo ajuda o leitor a estabelecer uma comparação simples entre o consumo adequado de soja para promover longevidade e os riscos do seu excesso. Ela foi elaborada pelo Dr. Paulo Maciel, médico, escritor e cientista, com base em diversos artigos datados conforme a tabela indica (clique para ampliar).  



Ao estabelecer valores, podemos afirmar que o consumo seguro da soja não oferece nenhum malefício e, mais ainda, que ele deve ser mensurado com cuidado pelo nutricionista na prescrição dietética, levando em conta a adição de soja também em alimentos industrializados, consumidos em massa nos dias de hoje.

Pesquisas acerca do consumo de soja na alimentação do atleta ainda são escassas, mas é possível afirmar, com base na prática clínica – tomo como exemplo o nutricionista Rodolfo Peres, assim como muitos outros atletas profissionais – que o consumo de proteína de soja isolada associado a uma alimentação saudável – sem níveis altos de consumo de alimentos processados – pode oferecer todos os benefícios da soja no ganho de massa muscular sem os riscos propostos pelas isoflavonas.

Para os meus pacientes, considero seguro o nível de até 24mg de isoflavonas ao dia, oferecido apenas pela proteína isolada de soja. Esta quantidade pode ser acrescentada através da utilização de suplementos em pó em quantidade baixa antes ou depois do treinamento resistido, quando a demanda orgânica de BCAAs é maior. Alguns suplementos para a preparação de leite de soja oferecem ainda a adição de vitaminas e metionina (aminoácido limitado no perfil protéico da soja), o que aumenta a qualidade do produto, mas pode ser considerado dispensável numa dieta rica em micronutrientes e proteína de alto valor biológico.

Apesar da carência por pesquisas científicas acerca da influência da soja na composição corporal de desportistas, já se tem uma base da quantidade segura para consumo, o que nos permite utilizar essa suplementação com mais liberdade e desfrutar de seus benefícios.

Ressalto que, para pre-contest, período anterior ao campeonato de fisiculturismo, defendo a retirada completa da proteína de soja da dieta do atleta, que fica controlada nas quantidades de carboidrato e gordura e restrita na adição de substâncias como hormônios vegetais, inclusive em quantidade ínfima, o que visa à máxima qualidade e definição muscular. Neste período, a suplementação com anicatabólicos como glutamina e BCAA’s substitui tranquilamente o alimento, além de fornecer doses mais exatas destes aminoácidos na sua forma pura.

Para concluir, friso que a decisão de inserir ou não a soja no planejamento dietético fica a critério do nutricionista, havendo divergências quanto à aprovação do consumo e escolha da quantidade. Deixo aqui um pouco das minhas pesquisas, observações e aplicações, esperando, assim, esclarecer ao leitor a importância do embasamento científico e prático na escolha de um alimento e de sua quantidade ideal levando em conta, de forma muito criteriosa, objetivo e bioindividualidade.


Referências bibliográficas


2. Nutrition during Pregnancy and Lactation. California Department of Health, 1975.

3. Bulletin de L’Office Federal de la Santé Publique, No 28, July 20, 1992.

4. Chen J, Campbell TC, Li J, Peto R. Diet, Lifestyle and Mortality in China. A study of the characteristics of 65 counties [Dieta, Estilo de vida e Mortalidade na China. Um estudo das características de 65 municípios]. Monografia publicada na Oxford University Press, Cornell University Press, China People’s Medical Publishing House, 1990.

5. Fukutake M, Takahashi M, Ishida K, Kawamura H, Sugimura T, Wakabayashi K. Quantification of genisteína and genistína in soybeans and soybean products [Quantificação de genisteína e genistína na soja e produtos de soja].  Food Chem Toxicol 1996.

6. Nagata C, Takatsuka N, Kurisu Y, o Shimizu H. Decreased serum total cholesterol concentration is associated with high intake of soy products in Japanese men and women [A redução da concentração de colesterol total é associada com alto consumo de produtos de soja em homens e mulheres japoneses]. J Nutr 1998 Feb.

7. Nakamura Y, Tsuji S, Tonogai Y. Determination of the levels of isoflavonoids in soybeans and soy-derived foods and estimation of isoflavonoids in the Japanese daily intake [Determinação dos níveis de isoflavonoids em sojas e comidas com derivados da soja e estimação de isoflavonoids no consumo diário japonês]. 

 8. Y Ishizuki, al de et, “The effects on the thyroid gland of soybeans administered experimentally in healthy subjects,” Nippon Naibunpi Gakkai Zasshi 1991.

9. Cassidy UM, Bingham S, Setchell KD. Biological effects of a diet of soy protein rich in isoflavonas on the menstrual cycle of premenopausal women [Efeitos biológicos de uma dieta de proteína de soja rica em isoflavonas no ciclo menstrual de mulheres no climatério]. Am J Clin Nutr 1994.

10. Effects of soy-protein supplementation on epithelial proliferation in the histologically normal human breast [Efeitos da suplementação de proteína de soja na proliferação do epitélio em células mamárias histologicamente normais]. Am J Clin Nutr 1998.

11. USDA-Iowa State University Database on the Isoflavona Content of Foods 1999 [USDA – Universidade do Estade de Iowa, Banco de dados do Conteúdo de Isoflavona em Comidas 1999.
12. Washington Post Health Section, January 30, 2001.

13. Burros M. Doubts Cloud Rosy News on Soy. New York Times, January 26, 2000.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Azeite de oliva: propriedades funcionais e aplicação no esporte



Rico em gorduras monoinsaturadas, vitamina E e nos compostos beta-sitosterol e esqualeno, o azeite de oliva extra-virgem já é comprovadamente eficaz para fortalecer o sistema imunológico, neutralizar os efeitos dos radicais livres, prevenir o câncer e aumentar os níveis de HDL sanguíneo – o "bom colesterol" – colaborando para a boa saúde cardiovascular e para a redução do risco de infarto e AVC. Cabe citar que a função do HDL é transportar as moléculas de colesterol das células para o fígado, fazendo uma limpeza nas paredes dos vasos sanguíneos. O consumo regular do azeite ao longo dos anos, dessa forma, resulta em efeito cardioprotetor, contribuindo para a longevidade. 
É  ótimo para ser adicionado a dietas hipercalóricas, pela sua alta densidade energética, nas dietas Atkins e metabólica e no jejum intermitente, este último pela necessidade da alta concentração de calorias em uma única refeição. Em contrapartida, promove saciedade, ajuda a estabilizar a glicemia  e auxilia na queima de gordura corporal, podendo ser inserido em pequenas quantidades em dietas de emagrecimento.
Atuando como redutor do processo inflamatório, comum ao estresse gerado por treino intenso e sobrecargas contínuas, o azeite ajuda a restabelecer a competência imunológica, prevenindo infecções e outras doenças relacionadas à imunossupressão. Além disto, a atividade antioxidante atribuída aos polifenóis é de extrema importância aos adeptos a longas horas de treinamento, já que a atividade física potencializa a produção de radicais livres.
O hidroxitirosol, um dos compostos fenólicos mais conhecidos do azeite, está associado à boa saúde mental, impedindo a degeneração de neurônios através da redução do ataque dos radicais livres às células nervosas. Pesquisadores da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, sugerem que estes polifenóis possam ser usados em medicamentos para Alzheimer e Parkinson num futuro próximo.
Alimentos que exercem influência positiva nos níveis de colesterol são especialmente indicados para atletas que administram testosterona ou derivados em longo prazo, uma vez que os esteróides anabolizantes utilizados no meio esportivo causam desequilíbrio no perfil lipídico dos usuários. Dentre esses alimentos, compreendem-se, além do azeite, boas fontes de fitosteróis e gorduras “boas" – óleos vegetais, oleaginosas e peixes de água fria – além da famosa suplementação com ômega-3.
Para desfrutar dos benefícios funcionais do azeite de oliva, recomenda-se a ingestão de duas colheres de sobremesa (20 ml) por dia, quando não houver contra-indicação. O extra-virgem é considerado de qualidade superior, uma vez que não é processado e, com isto, não perde suas características funcionais. Refinamento e aquecimento de óleos vegetais resultam sempre na perda de suas propriedades e, dependendo da temperatura, na formação de gorduras trans, conhecidas pelo seu potencial carcinogênico e perigo para o coração. Procure optar por consumir o azeite puro junto a outros alimentos em vez de aquecê-lo em preparações.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TCM como auxiliar no desempenho esportivo



A gordura saturada sempre foi rotulada como  colaboradora das famosas DCVs – doenças cardiovasculares – maior causa de morte no mundo. Estes ácidos graxos se encontram predominantemente em alimentos de origem animal, como carne, leite integral e ovos, sendo os óleos vegetais alimentos pobres em gorduras saturadas.
Recentemente, no entanto, o óleo do coco, fonte vegetal de ácidos graxos saturados, tem tomado posição de alimento do bem nas prateleiras das lojas de produtos naturais e medicinais. Tudo isto porque a gordura presente neste produto, conhecida como TCM ou triglicerídeo de cadeia média, tem sua cadeia de carbonos menor que a dos ácidos graxos mais comuns em alimentos, o que difere seu comportamento metabólico.
No organismo, os triglicerídeos de cadeia média sofrem difusão passiva do estômago para o sistema portal e então para o fígado, sendo absorvidos com tanta rapidez quanto os carboidratos. Com isto, garantem energia imediata, sendo minimamente estocados na forma de gordura corporal.
Há muito tempo já se demonstrou que os TCMs aceleram o metabolismo de repouso, o que induz o organismo a queimar mais gordura, resultando em perda de peso. Várias dietas termogênicas incluem alimentos capazes de acelerar o metabolismo basal, e a adição do óleo de coco, nestes casos, pode ser eficaz. Além disso, esse tipo de gordura é um grande auxiliar na eficiência da resposta imunológica, atuando como antibiótico, antifúngico e antiviral. Ele eleva a produção do hormônio de crescimento, protegendo a massa magra, além de exercer atividade protetora contra a famosa Helicobacter pylori, uma das principais vilãs das úlceras pépticas e gastrites.
A rápida disponibilidade da energia gerada pelo TCM faz desse nutriente um auxiliar em dietas específicas para diabéticos, pois ele pode substituir os carboidratos sem, no entanto, ativar a liberação de insulina, garantindo que as calorias provenientes dos triglicerídeos sejam rapidamente aproveitadas. Pessoas interessadas em reduzir o índice glicêmico da dieta também podem utilizar os TCMs como uma excelente estratégia para a estabilização da glicemia.
 Em atletas, os TCMs são capazes de gerar energia rápida sem a necessidade da ingestão de carboidratos. Aumento da resistência e do desempenho é observado quando se utiliza este nutriente, especialmente se em conjunto com creatina, glutamina ou D-ribose, conhecidos também pela participação na recuperação muscular.
 Fisiculturistas em fase de pré-competição podem beneficiar-se dos triglicerídeos de cadeia média no período após o treinamento, quando a necessidade do organismo por energia imediata é bem maior. O TCM isolado, quando associado ao whey protein, é uma idéia inteligente para promover a recuperação do tecido muscular fornecendo a combinação “energia + proteína de alta biodisponibilidade” sem, no entanto, utilizar carboidrato. 
 Além disto, sabe-se que GH e insulina não podem ser utilizados ao mesmo tempo pelo organismo – são considerados hormônios de efeitos antagônicos entre si. Assim, quando um é disparado, o outro automaticamente tem seus níveis reduzidos. Com isto, a ausência de carboidrato após o treinamento impede a liberação de insulina, de forma que é possível manter os níveis do hormônio de crescimento altos por um período de tempo mais longo, fato considerado benéfico quando se deseja aproveitar os efeitos anabólicos do GH.
 Para uma dieta de perfil lipídico completo, no entanto, não é aconselhável substituir toda a gordura por MCTs. Utilize também outros tipos de lipídeos, inclusive os ácidos graxos essenciais ômega-3 e 6, igualmente importantes para atividades fisiológicas tais como proteção térmica, transporte de vitaminas e constituição das membranas celulares.

Agachando para um físico mais forte

O treino resistido de membro inferior é um dos mais exaustivos e dolorosos que há, pois é considerado um treino completo - exigindo o esforço do corpo inteiro - e essencial para a harmonia geral do físico. Ao treinar as pernas, você não somente fortalece e hipertrofia quadríceps, posteriores de coxa e panturrilhas, como também trabalha os glúteos com maior intensidade que em exercícios isolados, a musculatura abdominal completa, a região lombar e inclusive os braços, pela necessidade de estabilizar a barra nos agachamentos. 
         Um treino de pernas bem feito exige esforço intenso, deixa o coração na boca, causa náuseas, enjôo, esgotamento e dor, mas é, ainda assim, uma excelente ferramenta para promover força física, boa postura e resistência cardiovascular e prevenir a fraqueza músculo-esquelética que tende a aparecer com a idade avançada. É, ainda, um excelente auxiliar para o treino dos demais grupos musculares, na medida em que prepara o corpo e o coração para diversos tipos de esforços.
         Por isso, não abandone as pernas. Aplique amplitude, consciência e intensidade no seu treino e aproveite os inúmeros benefícios estéticos e funcionais desta prática!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Jejum periódico e saúde cardiometabólica

"Estudo recente sugere que o jejum periódico é benéfico para a saúde cardiometabólica

Murray, UT (4/03/11) - O jejum tem sido associado a rituais religiosos, dietas ou ações de protesto. Novas evidências reveladas hoje por investigadores do Intermountain Medical Center Heart Institute demonstram que o jejum periódico pode também ser benéfico para sua saúde e para o seu coração.

A equipe relata que o jejum não só reduz o risco de doença coronária e diabetes, como também provoca alterações significativas nos níveis de colesterol no sangue. Tanto diabetes como colesterol elevado são fatores de risco reconhecidos para a doença cardiovascular.

A descoberta dá seguimento a um estudo de 2007 que revelou uma associação favorável entre o jejum e a redução de risco para doença coronária, a principal causa de morte entre homens e mulheres adultos. Neste novo trabalho, o jejum periódico parece reduzir outros fatores de risco cardíaco, como os triglicéridos, o peso corporal e os níveis de açúcar no sangue.

Os resultados foram apresentados hoje, 3 de Abril, nas sessões científicas anuais do Colégio Americano de Cardiologia a decorrer em New Orleans.

'Estes novos indícios demonstram que a nossa descoberta original não foi um acontecimento fortuito', diz o Dr. Benjamin D. Horne, PhD, MPH, diretor de epidemiologia e genética cardiovascular no Intermountain Medical Center Heart Institute, e investigador principal do estudo. 'A confirmação, num novo grupo de pacientes, de que o jejum está associado a um menor risco para estas doenças levanta questões sobre se o jejum reduz de fato o risco ou se ele simplesmente indica estilo de vida saudável.'   
     

       
Ao contrário da pesquisa anterior da equipe, este novo estudo registrou as reações em mecanismos biológicos do organismo durante o período de jejum. O LDL-C dos participantes (o "mau" colesterol) e o HDL-C ("bom" colesterol) aumentaram (14% e 6%, respectivamente), elevando os níveis de colesterol total, o que apanhou os investigadores de surpresa.

'O jejum provoca fome e stress. Em resposta, o organismo libera mais colesterol, permitindo-lhe utilizar a gordura como fonte de combustível, em vez de glicose. Isso diminui o número de células gordas no corpo', diz o Dr. Horne. 'Isto é importante porque quanto menos células de gordura o corpo tiver, menos provável será experimentar resistência à insulina ou diabetes.'

Este estudo recente também confirmou descobertas anteriores sobre os efeitos do jejum no hormônio do crescimento (GH). O GH trabalha para proteger a massa muscular e o equilíbrio metabólico, uma resposta desencadeada e acelerada pelo jejum. Durante períodos de 24 horas em jejum, o GH aumentou em média 1300% nas mulheres e quase 2000% nos homens.

Neste ensaio, os investigadores realizaram dois estudos paralelos em mais de 200 indivíduos, pacientes e voluntários saudáveis, recrutados no Intermountain Medical Center. Um outro ensaio clínico de 2011 seguiu outros 30 pacientes que beberam apenas água, sem ingestão de qualquer alimento por um período de 24 horas. Foram também monitorizados numa dieta normal, durante um período de 24 horas adicional. Foram realizados exames de sangue e retirados dados antropométricos para avaliar todos os fatores de risco cardíaco, marcadores de risco metabólico e outros parâmetros gerais de saúde.

Embora os resultados tenham sido surpreendentes para a equipe, ainda é cedo para começar uma dieta de jejum. Serão precisos mais estudos como este para determinar a reação do corpo ao jejum e os seus efeitos sobre a saúde humana. Dr. Horne acredita que o jejum pode um dia ser prescrito como tratamento para a prevenção da diabetes e doenças cardiovasculares.

Para ajudar a alcançar o objetivo do estudo, a Fundação Deseret aprovou recentemente um novo financiamento para avaliar mais fatores de risco no sangue, utilizando amostras armazenadas deste referido ensaio. Os investigadores também irão incluir um estudo adicional de jejum entre os pacientes que foram diagnosticados com doença coronária.

'Estamos muito gratos pelo apoio financeiro da Fundação de Deseret. A organização e os doadores têm tornado estes estudos revolucionários possíveis', acrescentou Horne."

Este é um dos inúmeros estudos que sugerem os benefícios do jejum. Recentemente, tenho andado muito interessada pelo protocolo IF (intermitent fasting), e pesquisado a respeito. O que surpreende no jejum intermitente é que, segundo vários estudos, ele não é benéfico só para atletas, mas inclusive para pessoas que buscam qualidade de vida. Friso, no entanto, que antes de ser aplicado ele deve ser muito bem planejado e moldado de acordo com cada caso específico.
Aproveito para agradecer a todos que estão seguindo o blog.
Um abraço!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fit Fotos


Carla Torres - Campeã de Bodyfitness do Campeonato de Estreantes IFBB 2011
http://fitfotos.blogspot.com/

Oi pessoal!

Estamos na temporada de campeonatos paulistas e brasileiros de culturismo pelas federações Nabba e IFBB. Esse período é o fim de uma longa jornada de preparação para inúmeros atletas, na busca de mais um título e, acima disto, de mais uma grande realização pessoal. Para quem está de fora dos bastidores, é sempre prazeroso acompanhar o progresso dos competidores e a estréia de novos atletas, alguns extremamente talentosos.

Na divulgação das categorias femininas do bodybuilding, o fotógrafo e artista plástico Marcello Dezallez, especialmente interessado em fotografar as atletas em backstage, merece destaque. Seu excelente trabalho é sempre bem-vindo por nós, atletas, e agradeço a ele por incentivar de uma forma tão bela a divulgação do esporte. Você pode acompanhar o registro fotográfico destes e de outros campeonatos através deste maravilhoso trabalho, pelo link http://fitfotos.blogspot.com/

Vale lembrar que a primeira etapa do campeonato Brasileiro pela IFBB acontece no próximo fim de semana no Rio de Janeiro e conta com a apresentação das atletas da categoria Wellness e Bodyfitness. Vale à pena acompanhar!

Um abraço,

domingo, 24 de abril de 2011

The primal blueprint: Parte 1

Todos aqui devem saber o quanto é difícil mudar o saber popular. Não é diferente na nutrição. Apesar de ser uma ciência dinâmica baseada especialmente na prática, as pessoas ainda preferem tratá-la como saber popular e acreditar nos livros velhos de fisiologia. Os atletas em especial têm a necessidade de testar novas práticas alimentares visando à melhora do seu desempenho, afinal, sabe-se que uma tática eficiente, superior e singular aliada à boa aceitação pelo organismo pode promover melhoras estéticas e até mesmo fazer um campeão nos palcos. Estas medidas, por sua vez, muitas vezes também são úteis para não-atletas, podendo ser aplicadas com sucesso até mesmo em pessoas que não fazem atividade física. Dois grandes exemplos práticos disto são a dieta metabólica e o jejum intermitente, cuja adesão tem sido grande nos últimos anos, e os casos de sucesso vêm aumentando.

Diante disto, venho hoje falar sobre novas práticas preconizadas por Mark Sisson no seu livro “The Primal Blueprint”. Esta espécie de dieta veio ao conhecimento do brasileiro através do termo “vida primitiva” e ainda é pouco conhecida. Hoje, no entanto, recebi um email contendo alguns tópicos relativos a ela e tive a oportunidade de pesquisar, superficialmente o modo de vida alimentar inspirado nos hábitos do homem primitivo.



Acredito que um dos grandes erros da nutrição “comum” é estabelecer como base da pirâmide alimentar os carboidratos. Por mais que trabalhemos com carboidratos integrais, estamos, ainda assim, trabalhando diretamente com o metabolismo da insulina e permitindo que o período de saciedade, por conta do seu pico, seja menor. A meu ver, prescrever uma dieta composta por 60% de carboidratos diante da epidemia de diabetes que estamos vivendo nos dias de hoje é extremamente incoerente.

A pirâmide alimentar divulgada por Sisson tem na sua base os vegetais e frutas, preferencialmente orgânicos, seguidos por proteínas (carne, ovos, peixes), óleos e sementes e, por fim, no topo da pirâmide, especiarias, ervas e suplementos.  Perceba que os grãos são banidos totalmente da composição da pirâmide. Segundo Mark, eles são desnecessários. Por conter muito mais carboidratos que as hortaliças, os grãos, quando consumidos em altas quantidades, levam ao excesso da produção de insulina e armazenamento de gordura e, desta forma, são facilitadores do desenvolvimento de cardiopatias. São alergênicos e imunossupressores (reduzem a capacidade de defesa do organismo), e, por meio do excesso de fibras, podem perturbar o sistema digestivo. Tudo isto já foi, inclusive, comprovado por diversos estudos.

The primal blueprint: Parte 2


A ingestão de gordura animal é o ponto seguinte abordado pelo livro. Segundo o autor, ela deve ser a maior fonte de calorias da dieta. Sua relação com doenças cardiovasculares é mínima. Ela promove o metabolismo eficiente de gorduras (já se sabe que dietas pobres em gorduras prejudicam a capacidade do organismo em utilizar gorduras, facilitando seu armazenamento), auxilia no controle de peso e promove também a saciedade. Venho mais uma vez mencionar o pico de insulina. Carboidratos são digeridos com mais facilidade e em menos tempo que os demais macronutrientes, o que implica no comprometimento da sensação de saciedade. O mesmo não acontece com as gorduras. Além do mais, a gordura da dieta não é mais rotulada como a vilã das cardiopatias. Já foi comprovada a associação do desenvolvimento de doenças cardiovasculares à síndrome metabólica, causada pela deficiência de ômega-3 e pelo excesso de carboidratos na dieta. O colesterol presente nos produtos de origem animal, da mesma forma, tem pouca ou nenhuma relevância para o risco de doença cardíaca.

Uma dieta baseada em grãos, segundo Mark, também poderia trazer malefícios ao trato gastrointestinal. Isto ocorre porque as fibras em excesso constituem fatores antinutricionais, o que significa que, por aumentarem significantemente a velocidade do trânsito intestinal, carregam consigo alguns nutrientes importantes (especialmente minerais como ferro e cálcio) que, desta forma, não podem ser absorvidos pelo intestino. Conforme a dieta primitiva, frutas e hortaliças seriam suficientes para suprir as necessidades diárias de fibra dietética do nosso organismo sem causar excessos.

A adesão às dietas de baixo carboidrato tem aumentado muito nos últimos anos, especialmente entre atletas, principalmente pelo reconhecimento do benefício que ela traz ao organismo de reeducar-se quanto ao metabolismo de gorduras. A diminuição de força e de disposição não é verificada após a adaptação à dieta. Muitos relatam preservação da massa magra associada à redução do percentual de gordura ao reduzir drasticamente a ingestão de carboidratos.

As leis primais vão muito além dos hábitos alimentares. O livro traz também hábitos de vida ligados a exercício físico, estresse, exposição ao sol e utilização de remédios. Segue o link do blog “Vida Primal – Retomando velhos hábitos para viver melhor”, onde você pode conhecer mais sobre o assunto.


Boa Páscoa e até a próxima!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Abacate: Valor nutricional e atividade ergogênica



Um dos grandes interesses da ciência da nutrição no campo bioquímico é o estudo dos fitosteróis, conhecidos também como hormônios vegetais. Muitos de vocês devem conhecer um exemplo muito popular da aplicação destes compostos na medicina moderna. São os fitoestrógenos presentes na soja, cuja ingestão colabora para o equilíbrio hormonal feminino dado pela capacidade que estes fitormônios têm de imitar os estrogênios produzidos por nós, atuando de forma semelhante a eles no organismo.
Da mesma forma, existe um hormônio vegetal de estrutura química similar ao colesterol especialmente interessante para desportistas. É o beta-sitosterol, um composto encontrado no arroz, no germe de trigo, no milho, na soja e, em sua concentração máxima, no abacate. Além de um potente anti-inflamatório, o beta-sitosterol tem atividade moduladora do sistema imunológico, reforçando o organismo no combate a fungos, bactérias e vírus através da sua ação positiva no aumento da proliferação e da atividade das nossas células de defesa. Desta forma, ele constitui também um agente supressor do câncer e do HIV.
Obviamente, a estabilidade imunológica é essencial no rendimento de um atleta, mas há benefícios funcionais ainda mais interessantes no consumo do beta-sitosterol. Este composto vegetal é também responsável pelo aumento dos níveis de testosterona endógena, sendo o princípio ativo do Saw palmeto e do Pygeum africanum, por exemplo, vendidos em casas de produtos naturais como ergogênicos eficazes para desportistas. Ele atua especificamente sobre o fígado, inibindo a enzima que converte a testosterona a dihidrotestosterona (DHT). O DHT age promovendo efeitos indesejados como calvície e acne, além de se ligar ao mesmo receptor hormonal da testosterona, impedindo, assim, que ela se una a ele e atue satisfatoriamente no organismo. O beta-sitosterol, desta forma, liberta mais receptores para a testosterona se ligar e agir, o que otimiza os efeitos da mesma.
Estudos demonstram, da mesma forma, o efeito antiestrogênico do beta-sitosterol, especialmente aplicável a atletas que desejam reduzir os malefícios típicos da ação dos hormônios femininos, tais como retenção hídrica, aumento de peso e ginecomastia. Este mesmo efeito é benéfico nos casos de câncer de mama e útero, quando a proliferação das células do tumor é alimentada pelo estrogênio. Além disto, o beta-sitosterol também se mostra interessante no combate ao câncer de próstata quando reduz os níveis de DHT, uma vez que este hormônio, ao se ligar aos receptores androgênicos, causa hiperplasia prostática (aumento do número de células da próstata) e possibilita o aparecimento do tumor.
As aplicações do beta-sitosterol no organismo são muitas. O consumo de abacate, além disto, não é benéfico apenas na manutenção dos bons níveis hormonais e na prevenção da carcinogênese. Este fruto, dentre todos, é também o mais rico em glutationa, um antioxidante que exerce inúmeras funções fisiológicas como o metabolismo da vitamina C e a proteção do fígado. Ele contém quantidades significantes das vitaminas A e E, também antioxidantes e conhecidas pelo seu poder anti-envelhecimento. As gorduras monoinsaturadas do abacate, em conjunto com o beta-sitosterol, atuam, por sua vez, na proteção cardiovascular, uma vez que conseguem equilibrar eficientemente os níveis de colesterol plasmático.
Tantos benefícios em um único alimento mostram que o consumo regular do abacate certamente contribui para a saúde do atleta. Por conter alto valor energético, ele é indicado especialmente em dietas de ganho de peso. Pode, no entanto, ser usado com moderação em dietas hipocalóricas, já que é capaz também de promover a saciedade.
Fica aí mais uma dica de consumo. Espero que tenham gostado!

Bibliografia consultada:

  • Valette, G. and E. Sobrin, Pharm Acta. Helv. (1963)
  • UCLA Centre for Human Nutrition - California
  • Encyclopaedia of Chemical Technology, Vol.7, p. 153, edited by Kirk Othmer, John Wiley & Sons, New York, 1979
  • Rique, A., Soares, E., Meirelles, C. Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares. Rev Bras Med Esporte vol.8 no.6 Niterói Nov./Dec. 2002

terça-feira, 22 de março de 2011

O IMC é uma medida confiável? - Parte 1

Caros leitores. Hoje pretendo fazer um alerta sobre uma medida de avaliação que a maioria de vocês deve conhecer. Trata-se do IMC, o índice de massa corpórea, aplicado por nutricionistas e, mais recentemente, até mesmo por médicos, para avaliar a saúde do paciente em termos de peso ideal. O IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Sugere-se, então, que o resultado deste cálculo indique se o paciente está acima, abaixou ou dentro da faixa de peso adequada para sua altura. Mais que isto, o IMC parece mostrar qual o grau de baixo peso ou obesidade do paciente, se este for constatado e, ainda, que riscos esta alteração de peso ideal pode trazer à saúde do indivíduo. Na figura abaixo, apresentam-se as possíveis faixas de IMC e a situação de saúde a que cada uma delas se associa conforme Lambert Quételet, que desenvolveu estes cálculos no fim do século XIX.




Um exemplo de cálculo de IMC seguido pela avaliação rápida do resultado é dado a seguir:





A rapidez e a praticidade do procedimento de cálculo do IMC são inquestionáveis. Enquanto outros métodos de avaliação mais complexos costumam exigir horas de trabalho e recursos financeiros claramente inacessíveis à maioria dos segmentos da população, o índice de massa corpórea leva minutos para ser estipulado e exige apenas uma calculadora. Hoje em dia, vejo médicos e empresas de alimentos fornecendo aos seus clientes um círculo de papel contendo, ao seu redor, todas as faixas de altura e peso existentes numa população. Associados através de uma seta ajustada no interior do círculo, eles fornecem imediatamente o IMC do paciente, o que elimina, por sua vez, a necessidade de cálculo.

Tanta facilidade desperta o fascínio de muitos. Seria prático e maravilhoso mexer numa setinha de um círculo de papel e, em questão de segundos, informar-se a respeito da sua própria situação de saúde, sendo alertado pelas aparentemente “bem-intencionadas” indústrias de alimentos e profissionais de saúde, mais uma vez, aparentemente “bem-intencionados” quando se trata dos riscos gerados pelo baixo peso ou pelo seu excesso.

Antes de mais nada, porém, friso a importância de tomarmos consciência de que, no procedimento de avaliação corporal de um indivíduo, todo e qualquer método aplicado apresenta falhas e desvios, desde o IMC, o mais barato e simples de todos, até os mais complexos e caros. A complexidade de um método de avaliação pode aumentar a precisão dos resultados e garantir, desta forma, que o diagnóstico seja aplicado da melhor forma possível, e é nisto que muitos nutricionistas trabalharam durante anos a fim de proporcionar segurança no tratamento dos seus pacientes. O IMC, por sua vez, ao promover comodidade, elimina também as chances de exatidão do resultado final, o que prejudica sua firmeza na questão da precisão e distorce facilmente o diagnóstico. E como isto ocorre?

A base para a ausência de fidedignidade do IMC estabelece-se no fato de que ele usa como dado principal o peso do indivíduo, eliminando o dado “composição corporal”. Isto significa que se uma pessoa, por exemplo, é diagnosticada pelo IMC como saudável (estando na faixa entre 18,5 a 24,9 pontos) e tem alto índice de gordura, compensado no peso pelo baixo índice de massa magra, ela ainda assim será uma pessoa com má composição corporal identificada como saudável, o que, por sua vez, impossibilita a intervenção do profissional na orientação de controle alimentar e prática de atividade física como tentativa de modificar os percentuais de gordura e massa muscular do indivíduo, tornando-o uma pessoa menos susceptível, em longo prazo, à incidência de doenças metabólicas.

Este é só o começo da lista de argumentos que coloca definitivamente o IMC na lista de métodos de avaliação física ultrapassados. Ele é tão falho que ultimamente tem sido eliminado da rotina de avaliação de nutricionistas, pois, segundo eles, é apenas “perda de tempo” em meio a tantos caminhos novos e eficazes de avaliação. Médicos e empresas de alimentos ainda divulgam em massa o método do IMC. Por trás disto, não existe apenas ignorância científica, mas também interesses ligados à facilidade com a qual se pode convencer uma pessoa de que ela não precisa de tratamento nutricional, mas apenas medicamentoso. Além do mais, pessoas referidas como portadoras de sobrepeso são o alvo das indústrias alimentícias, frequentemente afinadas com a venda de produtos light e com a divulgação da imagem da magreza como verdade oficial.